Ferramenta auxilia a identificar revistas para publicação de artigos

A fim de facilitar o processo de identificação de periódicos, a empresa Edanz Group – consultoria lançou uma ferramenta gratuita, disponível na internet, que identifica boas opções de revistas para publicação de artigos científicos específicos.

Ao digitar o resumo, ou frases-chave (ou amostra do texto no campo principal do programa), ela fornece uma lista de periódicos que publicam em áreas relacionadas ao tema da pesquisa relatada no artigo.

Os usuários do serviço podem refinar os resultados da busca com base em critérios que julgam ser importantes para publicações nas quais gostariam de publicar seu artigo, como frequência de publicação, fator de impacto e modelo de publicação e até acesso aberto.

O programa também fornece informações básicas sobre as publicações indicadas e uma lista de artigos relacionados ao tema pesquisado que a revista científica tenha publicado recentemente.

Com base nesse conjunto de informações, resta ao usuário visitar o site das publicações pelas quais se interessou para sacramentar a decisão de onde apresentar seu artigo.

https://www.edanzediting.com/journal-selector

Fonte: Revista FAPESP.

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Comissão Fulbright oferece bolsas para brasileiros

A Comissão Fulbright está com inscrições abertas a cidadãos brasileiros que queiram desenvolver atividades acadêmicas nos Estados Unidos.

Serão concedidas até 82 bolsas em competição aberta a cidadãos brasileiros que sejam professores, estudantes de pós-graduação ou professores de inglês recém-formados. Os subsídios serão concedidos de agosto ou setembro de 2018 a maio ou junho de 2019. A duração varia de quatro meses a nove meses.

Das vagas, 10 bolsas serão destinadas a jovens doutores em qualquer área do conhecimento, recentemente contratados em caráter permanente em instituições brasileiras de ensino superior.

Outras 10 bolsas, de três ou quatro meses de duração, serão concedidas a professores e pesquisadores de todas as disciplinas, com mais de sete anos após o doutorado. Os selecionados poderão realizar pesquisas e ministrar palestras em instituições de ensino superior ou centros de pesquisa nos Estados Unidos. O candidato deve apresentar carta de aceite da instituição anfitriã nos Estados Unidos.

Há também bolsas para doutorado-sanduíche e para brasileiros que tenham interesse em ensinar português nos Estados Unidos.

Os interessados devem se inscrever até o dia 1º de outubro de 2017, pelo site da Fulbright.

A Comissão Fulbright também oferece bolsas, em conjunto com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para pesquisadores e acadêmicos dos Estados Unidos interessados em pesquisar ou lecionar no Brasil.

Os selecionados receberão auxílio para cobrir despesas de transporte e de estadia por três ou quatro meses. Interessados podem se inscrever até 12 de setembro, pelo endereço https://awards.cies.org/content/all-disciplines-13.

Fonte da notícia: Agência FAPESP

Darwin e a prática da “Salami Science”

Em 1985, ouvi pela primeira vez no Laboratório de Biologia Molecular a expressão “Salami Science”.
Um de nós estava com uma pilha de trabalhos científicos quando Max Perutz se aproximou. Um jovem disse que estava lendo trabalhos de um famoso cientista dos EUA. Perutz olhou a pilha e murmurou: “Salami Science, espero que não chegue aqui”.
Mas a praga se espalhou pelo mundo e agora assola a comunidade científica brasileira. “Salami Science” é a prática de fatiar uma única descoberta, como um salame, para publicá-la no maior número possível de artigos científicos.
O cientista aumenta seu currículo e cria a impressão de que é muito produtivo. O leitor é forçado a juntar as fatias para entender o todo. As revistas ficam abarrotadas. E avaliar um cientista fica mais difícil.
Apesar disso, a “Salami Science” se espalhou, induzido pela busca obsessiva de um método quantitativo capaz de avaliar a produção acadêmica.
No Laboratório de Biologia Molecular, nossos ídolos eram os cinco prêmios Nobel do prédio. Publicar muitos artigos indicava falta de rigor intelectual. Eles valorizavam a capacidade de criar uma maneira engenhosa para destrinchar um problema importante. Aprendíamos que o objetivo era desvendar os mistérios da natureza.
Publicar um artigo era consequência de um trabalho financiado com dinheiro público, servia para comunicar a nova descoberta. O trabalho deveria ser simples, claro e didático. O exemplo a ser seguido eram as duas páginas em que Watson e Crick descreveram a estrutura do DNA.
Você se tornaria um cientista de respeito se o esforço de uma vida pudesse ser resumido em uma frase: Ele descobriu… Os três pontinhos teriam de ser uma ou duas palavras: a estrutura do DNA (Watson e Crick), a estrutura das proteínas (Max Perutz), a teoria da Relatividade (Einstein).
Sabíamos que poucos chegariam lá, mas o importante era ter certeza de que havíamos gasto a vida atrás de algo importante.
Hoje, nas melhores universidades do Brasil, a conversa entre pós-graduandos e cientistas é outra. A maioria está preocupada com quantos trabalhos publicou no último ano – e onde. Querem saber como serão classificados. “Fulano agora é pesquisador 1B no CNPq. Com 8 trabalhos em revistas de alto impacto no ano passado, não poderia ser diferente.” “O departamento de beltrano foi rebaixado para 4 pela Capes. Também, com poucas teses no ano passado e só duas publicações em revistas de baixo impacto…” Não que os olhos dessas pessoas não brilhem quando discutem suas pesquisas, mas o relato de como alguém emplacou um trabalho na Nature causa mais alvoroço que o de uma nova maneira de abordar um problema dito insolúvel.
Essa mudança de cultura ocorreu porque agora os cientistas e suas instituições são avaliados a partir de fórmulas matemáticas que levam em conta três ingredientes, combinados ao gosto do freguês: número de trabalhos publicados, quantas vezes esses trabalhos foram citados na literatura e qualidade das revistas (medida pela quantidade de citações a trabalhos publicados na revista).
Você estranhou a ausência de palavras como qualidade, criatividade e originalidade?
Se conversar com um burocrata da ciência, ele tentará te explicar como esses índices englobam de maneira objetiva conceitos tão subjetivos. E não adianta argumentar que Einstein,  Crick e Perutz teriam sido excluídos por esses critérios.
No fundo, essas pessoas acreditam que cientistas desse calibre não podem surgir no Brasil. O resultado é que em algumas pós-graduações da USP o credenciamento de orientadores depende unicamente do total de trabalhos publicados, em outras o pré-requisito para uma tese ser defendida é que um ou mais trabalhos tenham sido aceitos para publicação.
Não há dúvida de que métodos quantitativos são úteis para avaliar um cientista, mas usá-los de modo exclusivo, abdicando da capacidade subjetiva de identificar pessoas talentosas, criativas ou simplesmente geniais, é caminho seguro para excluir da carreira científica as poucas pessoas que realmente podem fazer descobertas importantes.
Essa atitude isenta os responsáveis de tomar e defender decisões. É a covardia intelectual escondida por trás de algoritmos matemáticos.
Mas o que Darwin tem a ver com isso? Foi ele que mostrou que uma das características que facilitam a sobrevivência é a capacidade de se adaptar aos ambientes. E os cientistas são animais como qualquer outro ser humano. Se a regra exige aumentar o número de trabalhos publicados, vou praticar “Salami Science”.
É necessário ser muito citado? Sem problema, minhas fatias de salame vão citar umas às outras e vou pedir a amigos que me citem. Em troca, garanto que vou citá-los.
As revistas precisam de muitas citações? Basta pedir aos autores que citem artigos da própria revista.
E, aos poucos, o objetivo da ciência deixa de ser entender a natureza e passa a ser publicar e ser citado.
Se o trabalho é medíocre ou genial, pouco importa. Mas a ciência brasileira vai bem, o número de mestres aumenta, o de trabalhos cresce, assim como as citações. E a cada dia ficamos mais longe de ter cientistas que possam ser descritos em uma única frase: Ele descobriu…
Fernando Reinach
Professor Titular – Universidade de São Paulo
Membro da Academia Brasileira de Ciências
Publicado originalmente em 27 Abril 2013

Instituto Serrapilheira abre inscrições para sua primeira chamada pública 18 de agosto de 2017

Estão abertas as inscrições para a primeira Chamada Pública do Instituto Serrapilheira. O prazo para submissão de propostas vai até as 15 horas do dia 15 de setembro de 2017. Serão aceitos projetos de pesquisa científica nas áreas de ciências da computação, ciências da terra, ciências da vida, engenharias, física, matemática e química. O prazo de submissão encerra em 15 de setembro às 15 horas, horário de Brasília.

O conteúdo da chamada está disponível para consulta no site www.serrapilheira.org/chamada-publica, bem como um guia passo a passo de como navegar o sistema de submissões.

Serão selecionados 70 projetos com seed grants de até R$ 100 mil. Depois de um ano, de 10 a 12 projetos dentre os 70 iniciais serão contemplados com aportes de até R$ 1 milhão para três anos de pesquisa. Uma parte desse aporte será condicionada ao cumprimento de critérios de diversidade.

O principal critério de seleção será a excelência da pesquisa; os critérios de elegibilidade são a idade científica do postulante (poderão se inscrever apenas aqueles que obtiveram o título de doutor a partir de 2007, com flexibilidade para mulheres que tenham passado por licenças-maternidade), tipo de vínculo com instituição-sede brasileira e local de realização da pesquisa.

Os projetos serão avaliados por um Conselho Científico formado por 12 cientistas que atuam no Brasil e no exterior. Os resultados serão publicados até o final de 2017.

Dúvidas e pedidos de esclarecimentos devem ser enviados ao e-mail chamada@serrrapilheira.org.

Fonte da notícia: Agência FAPESP