Perdi, em algum momento, o trem da história, mas quero encontrar!

Primeiramente é preciso estabelecer que relações sociais assimétricas existem. Privilégios idem. Nem um, nem o outro precisam ser eternos e imutáveis. É nesse contexto que surgem os “conflitos” que têm me perturbado. O texto trata de temas “espinhosos”, “cascudos”, e eu não sei quais serão as suas consequências, isso porque existe um espectro grande de possibilidades de interpretações, mas, vamos lá!

Algum tempo atrás, uma garota branca foi repreendida no ponto de ônibus por uma garota negra, o motivo é que a garota branca usava um turbante na cabeça. A motivação da garota negra é porque na sua concepção pessoas brancas não tem o direito de utilizar àquela indumentária. Detalhe, a garota estava doente, com câncer, utilizou o turbante para tapar a cabeça careca, causada pela quimioterapia.

A partir deste episódio, a jornalista (branca) Eliane Brum, escreveu um artigo condenando a garota branca, segundo ela (Eliane Brum), turbantes são símbolos de luta dos povos negros, portanto, não devem ser utilizados por pessoas brancas. (http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html)

Eis, que então, Eliane Brum foi advertida por pessoas negras, dizendo que o povo negro não precisa que uma pessoa branca escreva um texto em sua defesa, que eles próprios podem se defender.

Outra situação que me chamou atenção, foi num grupo do Facebook, uma garota disse que naquele grupo existiam vários homens machistas, rapidamente apareceram n mulheres, com vários exemplos, demostrando que sim, no grupo existiam rapazes machistas.

Alguns rapazes (a princípio não machistas) se solidarizaram com as moças, e aí, então, as moças disseram que os rapazes solidários não deveriam se meter naquela conversa, somente ouvir (ver no caso).

Por fim, há poucos dias, também num grupo privado do Facebook, com 40 mil pessoas mais ou menos, um rapaz (negro) iniciou uma pesquisa de opinião, daí as pessoas começaram a responder a pergunta elaborada, ele ficou bravo com as respostas e soltou essa: “poderiam me explicar porque os brancos do grupo se meteram na pergunta direcionada aos negros do grupo?  Para combatermos o RACISMO deveríamos ouvir os negros, o MACHISMO ouvir as mulheres, para resolvermos os problemas das CADEIAS, ouvir os presos, da ESCOLA PÚBLICA o estudante de lá, da empregada doméstica, do usuário de drogas … simples assim, em qualquer processo de mudança a escuta vem em primeiro lugar fica a dica”. Só para constar, em nenhum momento ele especificou o público que ele gostaria que respondesse seus questionamentos.

Retornando ao título do texto, eu perdi o “trem da história” no momento em que ser solidário as minorias e as relações sociais assimétricas deixou de ser legal. Embora eu compreenda a necessidade de o oprimido ser tornar protagonista, não entra na minha cabeça esse movimento de afastamento dos possíveis aliados. Hoje, parece que ser solidário em algumas questões, nos torna tão vilão quanto os reais agressores. Porque isso? De onde vem esse movimento?

Hoje me sinto numa encruzilhada, sem saber qual rumo seguir, ser omisso as questões a minha volta ou intervir, quais os limites da intervenção? Quem estabelece estes limites? Quem determina quem pode ou não usar um turbante, ou,  quem pode ou não escrever sobre racismo, machismo, homofobia, etc.

Me lembro que na época da graduação (há 15 anos) nos reuníamos em grupos heterogêneos, debatíamos sobre reforma agrária, questões indígenas, relações de gênero, inserção dos negros nas universidades, etc, etc, etc. Era a forma que encontrávamos de tornar o mundo mais plural!

Como teremos uma sociedade simétrica se cada grupo se fechar em suas pautas?

“Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado, é…
Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo”

 

Em tempo: achei o texto (citado) da Eliane Brum terrível, insensível, no entanto, penso que ele deveria ter sido criticado no conteúdo (ataque a garota que havia sido repreendida) e não mérito (por ser branca “defendendo” pessoas negras).

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