COMO SOBREVIVER AO MESTRADO/DOUTORADO-PARTE I

Sempre que relato as minhas experiências enquanto aluno de cursos de pós-graduação stricto-sensu (mestrado/doutorado) percebo algumas reações que misturam admiração, espanto, perplexidade, dentre outros. Resolvi escrever para compartilhar com as pessoas estas experiências.

Se você está pensando em fazer uma pós-graduação stricto-sensu, primeiro pergunte para você mesmo: qual a minha principal motivação em obter um título de mestre ou doutor? Eu me considero um afortunado por desejar desde a juventude um título acadêmico. Mas para aqueles que não tiveram essa sorte vou tentar conduzi-los a uma reflexão sobre essa decisão. Como sugerido por Carlos Krebs do LABCEE, o processo é árduo, não há atalhos, mas sabendo-se onde se quer chegar, sempre será menos tortuoso.

Liberdade profissional: Um título, principalmente de doutorado poderá lhe oferecer muita liberdade nos assuntos que você tem interesse. Você está no comando. Claro, você terá um “cara” chamado de orientador (falarei dele no momento oportuno) que vai impor algumas restrições, mas em geral você terá muito mais liberdade do que você pode encontrar em outro lugar, comparando com um emprego formal, por exemplo.

Propriedade: A pesquisa que você produzir será sua. Suas realizações e resultados terão seu nome ligado a elas. Dias antes da minha defesa, o meu orientador de doutorado me disse: “Ninguém conhece mais do seu trabalho como você (ou pelo menos deveria)”.

Exclusividade: pós-graduação é o topo da cadeia de estudos formais. Há poucas pessoas que chegam aos melhores programas de pós-graduação. Você será incluído em um grupo absolutamente seleto nacionalmente e internacionalmente. Veja na sua família quantos possuem um título acadêmico?

Status: Quase todos admiram um doutorando, por exemplo. Obter um título de mestrado ou doutorado é culturalmente reverenciado e reconhecido como uma conquista impressionante. Certa vez ouvi de uma empreendedor que os doutorandos são a esperança da inovação de um país.

Liberdade pessoal: Como estudante de pós-graduação, você é seu próprio patrão no projeto. Se for bolsista de dedicação exclusiva então… Quer dormir hoje? Certo. Quer tirar uma semana de “férias”? Certo. Quer assistir um filme segunda-feira às 15:00h? Tudo bem. Tudo o que importa é o seu produto final. Ninguém irá forçá-lo a estar na universidade das 08:00h às 17:00h. Naturalmente, alguns orientadores podem ser mais ou menos flexíveis sobre isso e você deve refletir se está preparado para lidar com essa liberdade de maneira responsável. Para profissionais do mercado, minha dica é desenvolver um tema estritamente relacionado a sua atuação, nesse caso, você transformará uma “desvantagem” em termos de tempo em uma “vantagem” em termos de domínio de conhecimento. Eu tive experiências absolutamente gratificantes desenvolvendo temas com alunos que trabalham o dia todo e cursavam pós-graduação.

Crescimento pessoal e ampliação de carreira. Ter um título é uma experiência intensa de crescimento rápido (você aprende muito) e exercita a auto-descoberta pessoal que certamente terá impactos pelo resto da sua vida. Geralmente você estará em companhia de pessoas brilhantes que poderão mudar alguns conceitos sobre conhecimento. Você terá uma oportunidade única para estabelecer uma boa rede de contatos e diversificar suas opções de carreira e networking.

As desvantagens: Como tudo na vida, esteja preparado para alguns problemas. Pós-graduação é um tipo muito específico de experiência. Você vai inevitavelmente dedicar-se como em nenhum outro projeto profissional, principalmente no doutorado. Você precisa estar bem com as suas emoções e possuir principalmente determinação para lidar com pressões e cobranças. Costumo dizer que as principais “qualidades” desejáveis em um pós-graduando é o controle da auto-estima e a resiliência. Estaremos lidando com a fronteira do conhecimento. Nela, estamos caminhando em um labirinto escuro e sem lanterna. Em algumas situações o máximo que o seu orientador poderá ajudá-lo(a) sera oferecendo-lhe um lenço. Me lembro que em um certo dia no início do meu doutorado, pesquisei alguns termos no Google e não consegui encontrar nenhum documento relevante. Naquele momento eu pensei: “É por isso que o assunto merece uma tese de doutorado”. Nesse momento percebi que estava sozinho, de fato. Você provavelmente perderá a noção de dia útil e fim de semana. Você vai se sentir esgotado e sozinho no laboratório em um belo e ensolarado sábado percorrendo fotos do Facebook de seus amigos se divertindo em viagens relaxantes. Você experimentará crises de identidade durante as quais você questionará suas decisões de vida e se perguntará o que está fazendo com alguns dos melhores anos de sua vida. Seus primos(as), tios(as), avô/avó questionarão o que você tanto faz quem não tem tempo nem para aquele almoço de família no final de semana. E por fim alguém sempre lhe perguntará: quando você vai começar a trabalhar para ganhar dinheiro? Um dos aspectos que avalio nos candidatos além de diversos fatores é a consciência de que ele(a) sabe exatamente onde está se metendo.

Colhendo frutos: Por fim, por diversas vezes ouvi dizer que você só deve fazer um mestrado ou doutorado, se você quiser ir para a academia e ser professor. Certamente existe uma forte correlação mas nas minhas experiências pelo mundo, digo que isso não é verdade. Talvez no atual momento do país a maioria deseje obter um título para passar em um concurso. Mas penso que essa situação é temporária, afinal, mais importante do que o diploma é o que você consegue fazer com ele. Ultimamente tenho perguntado aos candidatos sobre qual problema ele sonha em resolver em seu contexto profissional? Ter uma grande motivação de pesquisa provavelmente vai mitigar as dificuldades que estão por vir. Precisamos avançar e entender que pesquisa é inovação e sem inovação não há competitividade. O que tem valor é difícil. Para encerrar, recentemente encontrei um ex-aluno que me relatou que após cursar o mestrado as oportunidades profissionais se abriram ao ponto de triplicar seus rendimentos depois de 2 anos. Em 5 anos como docente de uma universidade por dois momentos recebi propostas firmes com ganhos financeiros compatíveis ou superiores. Certamente existem casos de insucesso, porém, penso que o principal ponto nesse processo de reinserção do conhecimento adquirido no mercado de trabalho seja o entendimento que um título de mestre ou doutor tem uma função semelhante a de uma carteira de habilitação: o documento representa o início de uma atividade e não um fim. E quem melhor do que alguém que passou por tudo o que relatei acima para abraçar projetos desafiadores e gerar competitividade a empresas e instituições?

No próximo post, relatarei sobre como aumentar as chances de ser aceito em uma escola de alto nível ou por um orientador “disputado”. Por fim contarei histórias absolutamente surreais vividas por mim e por amigos próximos em cursos de pós-graduação.

Sobre o autor: Anderson da Silva Soares (www.inf.ufg.br/~anderson – Linkedin: https://www.linkedin.com/in/profandersonsoares?trk=pulse-det-athr_prof-art_hdr – Twitter: https://twitter.com/engsoares_gyn – Canal no youtube: https://goo.gl/dJOf5U), professor e pesquisador do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás onde atua no campo da Inteligência Artificial, em particular, machine learning, deep learning para big data e reconhecimento estatístico de padrões. Possui doutorado em Engenharia Eletrônica e de Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Alguns de seus trabalhos acadêmicos e profissionais receberam nos últimos anos prêmios nacionais e internacionais de excelência em pesquisa científica e de resultados de inovação. 

COMO APRENDER SOBRE COMO OS ALUNOS APRENDEM

Quão bem os estudantes aprendem?

Os formuladores de  políticas públicas de hoje tendem a basear suas avaliações em testes padronizados, e não mais do que isso. No entanto, alguns pesquisadores em educação sugerem que é tão importante fazer uma pergunta mais fundamental: Como os alunos aprendem?

“Temos todo um conjunto de testes padronizados que visam medir a aprendizagem de alguma forma”, disse Rosemary Russ, pesquisadora de educação física da University of Wisconsin–Madison, “mas também precisamos examinar os comportamentos dos alunos e procurar padrões,  entre comportamentos, metodologias de ensino e outras medidas de aprendizagem.”

Uma maneira de fazer isso é observar os comportamentos em sala de aula. Os alunos estão dormindo quando o professor desliga as luzes para uma apresentação em PowerPoint, por exemplo, ou eles estão tomando notas e fazendo perguntas?

interacoesPesquisadores da University of California, Irvine; Seattle Pacific University and Harvard University in Cambridge, Massachusetts investigaram novas formas de observar e analisar interações gerais em sala de aula. De acordo com um artigo publicado na revista Physical Review Physics Education Research, no final de novembro, análises significativas em sala de aula podem ser feitas apenas com dados de vídeo, sem áudio. Este novo insight pode reduzir drasticamente o custo e o esforço necessários para pesquisas futuras em sala de aula, em todos os níveis de educação.

Olhe, não escute                                                                                                                                                “Agora, quando as pessoas estão fazendo essas análises, geralmente coletam dados de áudio e vídeo”, disse Laura Tucker, pesquisadora de educação científica da UC Irvine, que trabalhou no projeto.

Para obter gravações claramente audíveis de uma sala de aula, os pesquisadores muitas vezes têm que configurar vários microfones em vários ângulos e posições. Isso se torna difícil para classes maiores, onde as vozes dos alunos começam a se misturar e as observações individuais se tornam indistinguíveis.

“Logisticamente, os dados de áudio são difíceis de coletar e analisar, e combinar o áudio para estudantes específicos em estudos de grande porte é ainda mais difícil. Parando uma câmera em uma sala de aula (sem coleta de áudio) é muito mais fácil”, disse Tucker.

A maioria dos smartphones tem duas câmeras já construídas, apenas um exemplo de como é relativamente barato para coletar e armazenar dados de vídeo.

Para testar a possibilidade de analisar salas de aula com apenas vídeos, os pesquisadores treinaram um grupo de voluntários para marcar atividades de sala de aula usando um sistema de classificação publicado em 2009, por Rachel Scherr e David Hammer, um par de pesquisadores da University of Maryland.

alunos

Ao olhar para amostras de vídeo tomadas dentro de uma  classe universitária, os voluntários foram capazes de identificar vários tipos de atividades – como se os alunos estavam preenchendo testes, ouvindo uma palestra, tendo discussões ou apenas brincando. Eles fizeram isso observando os gestos dos alunos, linguagem corporal, movimentos de cabeça e outras pistas não-verbais, usando os protocolos fornecidos pelo sistema de classificação.

Em última análise, os pesquisadores descobriram que os voluntários poderiam distinguir entre essas atividades com a mesma precisão, independentemente da presença de gravações de áudio.

Próxima etapa – computadores
Eventualmente, os pesquisadores gostariam de automatizar o processo com computadores, para que mais dados possam ser processados. A comunicação não-verbal, a linguagem corporal, é um componente natural da interação humana. Mas antes que os computadores possam reconhecê-lo, os pesquisadores precisam articular essas pistas visuais de uma forma que os computadores possam entender.

“Os seres humanos são absolutamente essenciais para fazer o trabalho inicial”, disse Tucker. “Primeiro precisamos descobrir se e como essas análises podem ser feitas, então podemos ensinar um computador como fazê-lo.”

Desde os rudimentares filtros de e-mail de spam até os algoritmos de marcação de foto mais sofisticados, como os usados pelo Facebook, universidades e empresas fizeram grandes avanços no software de reconhecimento de padrões na última década. A tecnologia agora também está tomando a análise de vídeo.

“Se o processo pudesse ser automatizado, poderíamos analisar substancialmente mais dados e começar a procurar padrões entre os comportamentos dos alunos e outras medidas de aprendizado”, disse Russ.

Dada a diversidade de ambientes de aprendizagem em diferentes distritos, estados e países, a análise de vídeo poderia fornecer informações em sala de aula que os testes padronizados simplesmente não podem oferecer.

Artigo original publicado no inside science

Produção de passaportes está interrompida

A Casa da Moeda interrompeu a produção de passaportes desde a semana passada por falta de pagamento, de acordo com informações da GloboNews. Responsáveis pela emissão dos documentos, os postos de atendimento da Polícia Federal também estão paralisados desde então.

O pagamento do serviço à Casa da Moeda é realizado pelo Tesouro Nacional, que estaria atrasando o repasse de recursos.

Esta interrupção deve atrasar ainda mais a entrega do documento, que já estava demorando mais do que o tempo estipulado no ato da solicitação. O prazo máximo era de seis dias úteis.

Para emitir um passaporte, o solicitante deve pagar uma taxa de R$ 257,25. Em casos de urgência, a taxa aumenta para R$ 334,42.

No mês de junho, a confecção de passaportes foi paralisada por causa de uma falha. Por mês, a Casa da Moeda produz mais de 180 mil passaportes.

Veja aqui como tirar seu passaporte passo a passo

PLANEJANDO SEU INTERCÂMBIO

1-Fazer um intercâmbio é um sonho de muitos estudantes. Mas, para que ele se torne realidade – e para que a experiência seja boa – é preciso se preparar bem para estudar fora. Veja a seguir algumas dicas de como se organizar para aproveitar ao máximo o seu período de intercâmbio.

2-Pontue: que objetivos você deseja alcançar através do intercâmbio? Assim, você pode começar a definir quais países são mais interessantes para o seu caso, quanto tempo passará fora e o que fará nesse período.

3-Procure saber mais sobre as opções de países e cidades que você tem para morar. Faça uma pesquisa completa sobre o lugar onde você pode estudar e busque depoimentos de gente que já passou pela situação. Assim, as chances de você escolher um lugar que o agrade e onde você se sinta bem são ainda maiores.

4-Depois de pesquisar e encontrar quais são as melhores opções para você, pense no custo que cada uma delas vai ter. Pondere se a opção mais interessante cabe mesmo no seu bolso.

5-Na hora de fazer as contas lembre-se que, mesmo com algum tipo de bolsa, você provavelmente vai precisar de um dinheiro a mais. Inclua nos cálculos gastos com alimentação, transporte e compras.

travelling-ourlifeinthed-1000x5766-Você pode aproveitar o tempo que vai passar em outro país para viajar para cidades ou outros países próximos onde você não iria tão facilmente se estivesse no Brasil. Pense nesses gastos e organize um calendário de viagens de feriados ou fins de semana para conseguir visitar todos os lugares que você deseja.

7-Já pensou se o plug do seu notebook não se encaixar em tomada nenhuma de onde você estiver morando? Uma boa dica é pesquisar o padrão de tomada do país e comprar um adaptador aqui no Brasil para não passar por esse estresse por lá. Outro macete é levar uma régua de tomada – afinal, você não tem como saber se vai chegar no seu quarto e encontrar uma única tomada para carregar seu computador, seu celular, sua câmera…

8-Para não chegar lá fora tão perdido, veja na internet onde fica o mercado mais próximo da sua casa e estude o trajeto que você vai fazer todos os dias entre ela e o lugar onde você vai estudar. Veja se vale mais a pena ir de ônibus ou de trem, e se existe algum tipo de cartão de transporte que te dê um desconto.

9-Não é necessário ter domínio do idioma estrangeiro para estudar fora, mas você pode aproveitar o tempo que tem até a viagem para treiná-lo bastante. Assim, você chegará lá mais confiante.

10-Arrumar as malas pode ser um pouco difícil, já que você não vai poder levar todas as suas roupas e nem sabe direito quais são todas as coisas de que você vai precisar chegando lá. Uma dica é avaliar se o que você quer levar (e é útil aqui) realmente vai ser útil lá fora, seja por clima ou estilo de vida. Além disso, questione: o quanto isso que você precisa levar é mais barato no Brasil para justificar o espaço que vai ocupar na sua mala?

Leia: UNICAMP TEM REDE DE BLOGS PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICAUNICAMP TEM REDE DE BLOGS PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Leia também:  A CIÊNCIA BRASILEIRA E O GATO DE SCHRÖDINGER e Carta ao orientador

Curta a nossa página no facebook clicando nesse link .

Para conseguir bolsas de estudos com até 75% em várias universidades, clique sobre a imagem.

283x912x

Anúncios

Harvard exige mais de mil páginas de leitura por semana, diz estudante

Segundo a paulista Tábata Amaral, que se graduou em Ciências Políticas e Astronomia pela Universidade de Harvard, a instituição se diferencia de todas as outras em três pontos principais: o foco no pensar, e não no conteúdo; o contato com pessoas que são as melhores do mundo em suas áreas; e a formação de pessoas englobando seus mais diferentes interesses.

“Lá, o objeto de estudo importa muito pouco; como você aprende a pensar importa muito”, explica ela. No vídeo abaixo, gravado durante um encontro de Bolsistas da Fundação Estudar, a jovem explica como uma formação tão diversa (as pessoas sempre a questionam o porquê da escolha por Astrofísica) contribuiu para o seu desenvolvimento.

Na ocasião, ela também comentou sobre a sua rotina na melhor universidade do mundo – comparando com o período em que estudou Física na Universidade de São Paulo, considerada a melhor universidade do Brasil. “Em Harvard, a gente passa muito pouco tempo em aula e muito tempo na biblioteca”, explica. “Em ciências políticas, tem aula que tem mais de mil páginas de leitura por semana. Normal”, completa.

Por fim, Tábata argumenta que lá ela aprendeu a ser uma pessoa completa, que podia, sim, se interessar ao mesmo tempo por matemática, política e – por que não? – danças latino-americanas.

 

Este artigo foi originalmente publicado por Estudar Fora, portal da Fundação Estudar

Ensino de ciências no Brasil está entre os piores do mundo.

RIO — O ensino de ciências no Brasil está entre os mais precários do mundo. Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), o desempenho do estudante brasileiro na disciplina está entre os piores dos 70 países avaliados, com nota média de 401, à frente apenas da República Dominicana, Argélia, Kosovo, República da Macedônia, Tunísia, Líbano e Peru. O resultado dos nossos alunos está bem abaixo da média de 493 pontos das 70 economias avaliadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa é um exame trienal, que avalia o desempenho de estudantes com 15 anos nas disciplinas de ciências, leitura e matemática. Em ciências, as provas são aplicadas desde 2006. Em relação à primeira avaliação, o Brasil apresentou melhora relevante, de 11 pontos, mas em relação às duas últimas edições, o resultado ficou praticamente estável, com ligeira queda (405, em 2009, e 402, em 2012).

— O desempenho em ciências não é descolado do todo — avaliou Débora Foguel, professora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ e membro da Associação Brasileira de Ciências. — A verdade é que o Brasil, com respeito à qualidade da educação, vai mal em tudo. Estamos muito aquém do que deveríamos, do que a gente precisa.

Entre os estados, as notas variaram entre Alagoas, com o pior resultado, com média de 360 pontos; e Espírito Santo, com média de 435 pontos. O Distrito Federal ficou em segundo, com 426 pontos; e o Paraná, em terceiro, com 425. O Rio de Janeiro foi o pior estado da Região Sudeste, na 15ª posição no ranking nacional, com nota média de 392.

Mas o dado que mais chama atenção sobre a situação calamitosa do ensino de ciências no Brasil é sobre os níveis de conhecimento. O Pisa possui uma escala com sete níveis para ilustrar o conhecimento dos alunos. No mais alto, com nota acima de 708 pontos, os estudantes são capazes de “recorrer a uma série de ideias e conceitos interligados da física, das ciências da vida, da Terra e do espaço, bem como usar conhecimentos de conteúdo, procedimentais e epistemológicos para formular hipóteses”.

Apenas 0,02% dos estudantes brasileiros alcançaram esse nível, contra percentual médio de 1,06% dos países da OCDE. A grande maioria (81,96%) ficou no nível 2 ou abaixo (notas inferiores a 483). De acordo com a descrição do Pisa, com nível 2 os estudantes “conseguem recorrer a conhecimento cotidiano e a conhecimento procedimental básico para identificar uma explicação científica adequada, interpretar dados e identificar a questão abordada em um projeto experimental simples”.

Além disso, 56,6% dos estudantes ficaram abaixo do nível 2, considerado pela OCDE como o mínimo para a proficiência científica “necessária para o indivíduo se envolver em questões científicas como um cidadão crítico e informado. Espera-se que todos os alunos atinjam esse nível quando abandonarem os estudos obrigatórios”.

O nível que concentrou mais estudantes brasileiros foi o 1a (um abaixo do nível 2, com 32,37% dos total), no qual eles “conseguem usar conhecimento de conteúdo e procedimental básico ou cotidiano para reconhecer ou identificar explicações de fenômenos científicos simples”. Além disso, 4,38% dos alunos avaliados tiraram nota abaixo de 261, o nível mínimo descrito pelo Pisa.

Para Débora, o resultado ruim no desempenho do estudante brasileiro em ciências pode ser explicado por uma série de fatores. Um deles é a deficiência na infraestrutura. De acordo com o Censo Escolar 2015, apenas 57,1% dos estudantes brasileiros do ensino médio possuem acesso a laboratórios de ciências, sendo que esse número é puxado pelos estabelecimentos privados.

— Fazer ciências é como aprender a andar de bicicleta — disse Débora. — Não adianta passar um ano na sala de aula, explicando toda a mecânica da bicicleta, que o aluno só vai aprender fazendo.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/ensino-de-ciencias-no-brasil-esta-entre-os-piores-do-mundo-20596414#ixzz4S4JuY3CS